
Neste Carnaval, exaltamos aquela que é a base de tudo. A mulher que é mãe, que é guia, que é o próprio fundamento da nossa existência. Ser baiana é carregar o peso da coroa sem perder a leveza do passo. É ser o ícone máximo da dignidade popular brasileira.”
Se o pavilhão de uma escola de samba é o seu coração, a Ala das Baianas é o solo firme onde ele pulsa. Elas não apenas desfilam; elas benzem a avenida, limpando o caminho com o movimento circular de suas saias, que remete à renovação da vida e à força dos orixás.
A Origem: Do Respeito à Resistência
A tradição remonta ao início do século XX, na Pequena África do Rio de Janeiro. Naquela época, o samba era perseguido e marginalizado. As figuras centrais dessa resistência eram as Tias Baianas, como a lendária Tia Ciata. Em seus quintais, o samba encontrou refúgio sob a proteção da religiosidade e da gastronomia.
Unidas pela necessidade de preservar sua cultura e proteger seus “filhos” (os sambistas da época), essas mulheres estabeleceram uma base matriarcal que se tornaria a espinha dorsal de qualquer agremiação. No início, era comum ver homens vestidos de baiana para proteger as mulheres de possíveis repressões policiais, mas com o tempo, o espaço foi sagrado para elas: as mulheres maduras, detentoras do saber e da tradição.
O Ícone de Respeito:
Hoje, a baiana é a autoridade máxima da escola. Quando elas entram na avenida, o tempo parece dobrar-se. Elas carregam em suas rendas, contas e torços o peso da história de um povo que transformou a dor em arte.
• A Base Matriarcal: Elas são as conselheiras, as que acolhem e as que mantêm a ordem espiritual da comunidade.
• A Estética da Realeza: A saia rodada não é apenas um figurino; é a representação da grandiosidade dessas “mães” que giram para manter o mundo do samba em equilíbrio.
• O Legado: Sem a ala das baianas, uma escola de samba perde sua identidade. Elas são o elo entre o passado ancestral e o futuro do Carnaval brasileiro.
Respeitar uma baiana é respeitar a própria origem da festa. Elas são o fundamento, o axé e a certeza de que, enquanto houver uma saia rodando, o samba jamais morrerá.
“O samba é um moinho de sonhos, e as baianas são o vento que faz a engrenagem girar com a doçura de quem sabe que a vitória maior é a preservação da memória.”
Fotos: Bicuda Folia / Ensaios Técnicos 2026
Marcely Moura.
